Felicidade, onde você está?

As pessoas buscam felicidade, isto é fato. Parece que ao nascer, já nos impregnam com essa tarefa: Seja Feliz.

Nos desejam felicidade, mas não nos ensinam como alcança-la. O que era para ser simples e sentido, coisificou!

Já repararam que a felicidade virou carro, virou celular, virou “corpão violão”?

Estamos em uma busca frenética por itens que nos farão felizes, sem ter consciência se realmente esse é o caminho. Perguntas simples podem nos dar a resposta se esse é o caminho para a felicidade.

Você conhece alguém que tem o carro do ano e não é feliz? Você conhece alguém que tem “corpão violão” e não é feliz?

Eu conheço!

Coisas são capazes de despertar uma sensação de felicidade, passageira. Tente lembrar do dia que você comprou seu primeiro carro, ou quando ganhou seu primeiro celular, com certeza você se sentiu muito feliz, dias depois (em alguns casos até horas) essa sensação foi embora e lá estava você planejando sua próxima compra. O próximo item que lhe traria felicidade.

E aqui cabe minha pergunta inicial: Felicidade, onde você está?

Experimente fazer esse exercício antes de continuar, tente se lembrar de um dia marcante da sua vida. Anote em um papel a resposta.

Agora leia novamente sua resposta e veja se nela você escreveu a roupa que você estava, o aparelho celular que você usava, o peso que você tinha.

Acredito que ao lembrar dos momentos mais felizes, você não pensou “Eu estava magra naquela situação, por isso eu era feliz” ou “Eu tinha um carro zero e completo por isso eu era feliz”. Possivelmente você se lembrou de situações e de pessoas.

A festa mais legal que você foi, com certeza, foi aquela que tinha pessoas que você gostava.

A viagem mais legal que você fez, com certeza foi aquela que esteve com sua turma favorita, ou com sua família, ou mesmo aquela que você foi sozinha e encontrou pessoas que fizeram a diferença.

O encontro com a felicidade é mais fácil quando se tem pessoas: que te valoriza, aceita, incentiva, escuta. Pessoas que vibram com você, que torcem por você, que compartilham segredos com você. Pessoas que te fazem rir, que te fazem companhia, que te fazem sentir.

Faça novamente o exercício dos dias mais marcantes da sua vida, perceba se as pessoas não foram o motivo principal e as coisas apenas um pano de fundo.

Tenha pessoas, tenha bons vínculos. E seja feliz!

Texto produzido pela Psicóloga Renata Trovarelli CRP 08/15396

Por precisão e pela profissão

Para aqueles que de alguma forma convivem com a psicologia, através das mais diversificadas maneiras, seja convivendo pela profissão ou por uma precisão. Esse dia é especial.

Por precisão, fui cuidada, orientada, acolhida;

Pela profissão fui agraciada, cuido, oriento, acolho;

Por precisão pude conhecer uma excelente profissional, que, com seu conhecimento, ética,  boas práticas e amor fez meu problema se tornar o ponto de partida para minhas mudanças. E me ajudou nas mudanças;

Pela profissão posso conhecer muitas pessoas. Com meu conhecimento, ética, boas práticas e amor tento fazer do sofrimento daqueles que me procuram o ponto de partida para mudanças. E ajudo nas mudanças;

Por precisão ia uma vez por semana num ambiente que me fazia um bem danado. Lá eu podia chorar, reclamar, olhar por outros ângulos, me comportar de formar diferentes, experimentar;

Pela profissão fico todos os dias nesse lugar que me faz um bem danado, revendo comportamentos e suas consequências, agora não mais os meus, mas daqueles que veem nos seus problemas um ponto de partida para mudanças;

O conhecimento acadêmico me fez acreditar na Psicologia, mas ter passado pelos cuidados dessa profissão me encheu de coragem para multiplicar os bens que essa ciência do comportamento me possibilitou;

É mais que desabafo, é mais que acolhimento, e mais que análise de contingências…é MUDANÇA, mudança que traz autonomia, mudança que traz qualidade de vida e mudança que diminui sofrimento. É mudança pra melhor.

27 de Agosto dia do Psicólogo

Só amor não basta! Algumas habilidades são indispensáveis para a vida a dois

foto blogRenata, é perceptível que os casamentos e os relacionamentos em geral estão cada vez durando menos, em sua opinião o que pode estar contribuindo para términos tão precoces?
A sociedade tem passado por muitas transformações em um curto espaço de tempo, e estas de alguma forma estão alterando o modo de se comportar do ser humano. Somos diariamente bombardeados por muitas informações, e estamos reagindo sem pensar nas consequências dos nossos comportamentos. Diariamente somos expostos aos ideais de consumo, que nos ensina a querer sempre o novo, o mais moderno. Hoje não basta ter um celular para se comunicar, ele precisa ser o último lançamento!
Esse ideal de consumo parece ter se generalizado para as relações humanas, a sociedade não tem descartado somente produtos, pessoas também entraram nesse rol. Muitos passaram a buscar o companheiro perfeito, e vivem em busca de um amor romântico idealizado. Quando se deparam com o primeiro defeito do outro, logo tratam de sair do relacionamento. Essa situação tem se tornado muito comum, e por isso vemos atualmente tantos relacionamentos que não resistem as primeiras dificuldades.

Você está dizendo que as pessoas estão mais seletivas?
Não, sempre foi e ainda é importante buscar um companheiro(a) que tenha afinidades, é de suma importância que em um relacionamento haja carinho, atração física, valores em comum, no entanto, o que tem ocorrido é a busca por um companheiro(a) idealizado, e tudo o que é idealizado não tem defeitos. É aí que reside o erro! Relacionamentos não são perfeitos e pessoas também não.
Passada a fase da paixão (aquela fase gostosa onde o frio na barriga é constante, a vontade de estar com o outro é a primeira vontade do dia) a situação muda. O olhar para outro torna-se mais real, e é ai que os primeiros defeitos começam a ficar perceptíveis, grande parte dos relacionamentos terminam nesse momento. Parece que muitas pessoas não estão mais dispostas a ceder, a compreender, a mudar, a aceitar, ao deparar-se com o primeiro conflito o próximo passo tem sido a separação.
Perceba, que o que está acontecendo não é uma seleção saudável de quem será o companheiro (namorado(a), marido/esposa), mas sim uma exclusão de qualquer desconforto. Há pesquisas que mostram que o grupo no qual número de divórcios tem mais crescido no Brasil é o de casais que permaneceram juntos pelo período de 1 a 4 anos. Esse dado parece demonstrar que já nos primeiros conflitos do casal, a solução para muitos tem sido a separação.

Quais os problemas em manter “hábitos de consumos” nos relacionamentos podem gerar para pessoas com esses hábitos?
Levar esses “hábitos de consumo” para a vida amorosa pode gerar consequências pouco vantajosas. Uma delas é a dificuldade em manter um relacionamento amoroso satisfatório a longo prazo. Pessoas com esse padrão de comportamento trocam sempre de parceiros(as) e, se conseguem chegar ao casamento, esse tem curta durabilidade.
Além de não conseguirem manter-se em relacionamentos, essas pessoas perdem a chance de desenvolver comportamentos de tolerância, empatia e comunicação. Comportamentos importantes para todos os relacionamento, não apenas os afetivo-amorosos.

Renata quais estratégias podem ser usadas para que os relacionamentos não entrem na mesma categoria de produtos e dessa forma não sejam descartados como tal?
Primeiramente é lembrar que pessoas sem defeitos não existem, é ilusão achar que vamos encontrar alguém exatamente do modo que sonhamos, é importante lembrar que Príncipes Encantados existem apenas nos contos de fadas e nas novelas. Não estou dizendo que é para aceitar se relacionar com qualquer pessoa (é preciso ter afinidades), mas é preciso refletir quais defeitos são suportáveis para cada um, e saber que alguns destes pode estar presente no seu relacionamento.
Existem algumas habilidades que se presentes no casal, aumentam muito as chances dos relacionamentos darem certo, vou me restringir nessa entrevista sobre uma dessas habilidades, a comunicação.
Em minha prática clínica tenho percebido que essa habilidade é uma das mais importantes para que um relacionamento seja saudável e bem sucedido. Percebo que muitas pessoas quando chegam a terapia e relatam sobre seus problemas com os parceiros, ou sobre os problemas do parceiro(a), na maioria das vezes a comunicação do casal é pobre ou inexistente. Muitos não conseguem dizer ao companheiro o que sentem, não elogiam, não fazem pedidos, vivem a espera que o outro adivinhe quais são suas vontades.
Esperar que o companheiro(a) se comporte da maneira que você espera sem ao menos comunicá-lo pode gerar uma frustração muito grande, e é no mínimo injusto, pois o que é óbvio e importante para você, nem sempre será óbvio e importante ao outro. O parceiro precisa saber quais são suas necessidades para poder se comportar, e para que ele(a) saiba é preciso comunicar.
Casais que não conversam tem grandes chances de serem infelizes. Por isso comunique, fale, dialogue, as chances do seu relacionamento ser duradouro e prazeroso com certeza serão maiores.

É possível ser desenvolvida essa habilidade que você está chamando de comunicação?
Com certeza, e a terapia pode ser uma excelente aliada nesse processo. Muitos casais em crise não conseguem identificar que o problema pode estar na comunicação, inexistente ou falha. Normalmente colocam a culpa do fracasso do relacionamento no companheiro, no defeito do outro. É importante lembrar que o fracasso de um relacionamento nunca é determinado por apenas uma das partes do casal, ambos tem responsabilidades.
Desenvolver a comunicação significa perceber o que sua fala ou a falta dela pode estar causando no outro. A apatia do companheiro pode ser sinalizada e novos posturas podem ser solicitadas, o comportamento adequado pode deixar de aparecer por não estar sendo valorizado. A maioria das transformações que podem ocorrer em um relacionamento passam pelo crivo da comunicação e se essa habilidade não estiver bem desenvolvida as chances de quaisquer alterações são reduzidas.
Finalizo essa entrevista ressaltando a importância de cada um refletir sobre seus próprios comportamentos em seus relacionamentos. Relacionamentos bem sucedidos requerem pessoas habilidosas em comunicar, em entender, em mudar, em aceitar. Encontrar a pessoa “certa” é apenas o primeiro passo para se construir um bom relacionamento, após o primeiro encontro é que começa o desafio.

Amor, um modo de agir

o-carnaval-pode-ser-momento-de-romance-1-30-1082Amor, um modo de agir

Na música “Amor e Sexo” interpretada pela cantora Rita Lee há um trecho que diz “Amor é sorte”. Esta visão faz parte de uma cultura idealizadora do amor. Desde criança, principalmente nós mulheres, somos bombardeadas com finais de histórias infantis que terminam com “E eles foram felizes para sempre”, na adolescência essas idealizações ainda são alimentadas pelas revistas teens e se não bastasse na fase adulta, com a influência das novelas, continuamos a acreditar que basta encontrar o verdadeiro amor para sermos felizes. Encontrá-lo parece ser o maior desafio.

Se fossemos pensar na perspectiva da Análise do Comportamento poderíamos dizer que esta cultura (do feliz para sempre, após encontrar o grande amor) nos faz agir de forma passiva frente o amor, nos fazendo pensar que não é necessário nenhum esforço, nenhuma atitude para manter uma relação afetivo-amorosa.

O amor é ação, é ação consciente. Se após encontrarmos “o grande amor”, acreditarmos que não basta mais nada, esse será o presságio para o fim. O amor necessita ser alimentado e alimentado da maneira correta. Gary Chapman em seu livro “As cinco linguagens do amor” apresenta cinco formas de expressar o amor ao parceiro, mas não de qualquer forma. Expressar de forma que o outro entenda essa linguagem e se sinta amado. Prestar atenção no outro, saber o que ele valoriza é o primeiro passo para alimentar um amor.

A palavra amor é tão difícil de ser definida por envolver uma gama de  sentimentos e também comportamentos. É necessário respeito, cuidado, apreço, segurança, empatia. É necessário fazer-se presente e também “ausente”: o jogo de bola é um momento dele, assim como o shopping é o momento dela. É necessário valorizar o que o outro faz de bom ao invés de apenas tecer críticas ao comportamento dele ou dela. É importante sentir o amor, mas apenas senti-lo não garante sua permanência.

A cultura atual nos impulsiona para a passividade nas relações afetivo-amorosas, encontrar um namorado ou casar-se jamais deve ser o ponto final. O amor não se auto-alimenta, ele precisa ser alimentado sempre, senão enfraquece e até desaparece. É possível aprender outro modo de relacionar-se. Sentir não basta, deve-se agir. Parafraseando Hélio Guilhardi, o repertório de amar inclui necessariamente atos e sentimentos, de forma inseparável.

Texto produzido pela psicóloga clínica  Renata Trovarelli CRP 08/15396