Amor, um modo de agir

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Na música “Amor e Sexo” interpretada pela cantora Rita Lee há um trecho que diz “Amor é sorte”. Esta visão faz parte de uma cultura idealizadora do amor. Desde criança, principalmente nós mulheres, somos bombardeadas com finais de histórias infantis que terminam com “E eles foram felizes para sempre”, na adolescência essas idealizações ainda são alimentadas pelas revistas teens e se não bastasse na fase adulta, com a influência das novelas, continuamos a acreditar que basta encontrar o verdadeiro amor para sermos felizes. Encontrá-lo parece ser o maior desafio.

Se fossemos pensar na perspectiva da Análise do Comportamento poderíamos dizer que esta cultura (do feliz para sempre, após encontrar o grande amor) nos faz agir de forma passiva frente o amor, nos fazendo pensar que não é necessário nenhum esforço, nenhuma atitude para manter uma relação afetivo-amorosa.

O amor é ação, é ação consciente. Se após encontrarmos “o grande amor”, acreditarmos que não basta mais nada, esse será o presságio para o fim. O amor necessita ser alimentado e alimentado da maneira correta. Gary Chapman em seu livro “As cinco linguagens do amor” apresenta cinco formas de expressar o amor ao parceiro, mas não de qualquer forma. Expressar de forma que o outro entenda essa linguagem e se sinta amado. Prestar atenção no outro, saber o que ele valoriza é o primeiro passo para alimentar um amor.

A palavra amor é tão difícil de ser definida por envolver uma gama de  sentimentos e também comportamentos. É necessário respeito, cuidado, apreço, segurança, empatia. É necessário fazer-se presente e também “ausente”: o jogo de bola é um momento dele, assim como o shopping é o momento dela. É necessário valorizar o que o outro faz de bom ao invés de apenas tecer críticas ao comportamento dele ou dela. É importante sentir o amor, mas apenas senti-lo não garante sua permanência.

A cultura atual nos impulsiona para a passividade nas relações afetivo-amorosas, encontrar um namorado ou casar-se jamais deve ser o ponto final. O amor não se auto-alimenta, ele precisa ser alimentado sempre, senão enfraquece e até desaparece. É possível aprender outro modo de relacionar-se. Sentir não basta, deve-se agir. Parafraseando Hélio Guilhardi, o repertório de amar inclui necessariamente atos e sentimentos, de forma inseparável.

Texto produzido pela psicóloga clínica  Renata Trovarelli CRP 08/15396

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